FOZ DO IGUAÇU — O vereador Sidnei Prestes, candidato a deputado estadual pelo Podemos, tomou uma decisão incomum na atual campanha eleitoral: recusou R$ 1 milhão em recursos públicos que poderiam ser destinados pelo partido à sua candidatura. A informação, declarada pelo próprio candidato, encontra respaldo nos dados financeiros da Justiça Eleitoral, que mostram sua campanha sem qualquer repasse do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ou do Fundo Partidário.
Até o momento, as prestações de contas de Prestes indicam que os recursos declarados têm origem exclusivamente privada, incluindo R$ 40 mil provenientes do próprio candidato e doações de pessoas físicas. Essa postura contrasta com a de outros candidatos do mesmo partido, como o deputado estadual Do Carmo, que declarou R$ 1,2 milhão da direção nacional da legenda, e Lu Bonatto, com R$ 1,12 milhão em receitas, dos quais R$ 1,1 milhão são provenientes do Fundo Eleitoral.
“É legal, mas não concordo” com o uso de recursos públicos
Questionado sobre sua decisão, Sidnei Prestes esclareceu que não questiona a legalidade do financiamento público de campanhas, previsto na legislação eleitoral. Contudo, sua posição é uma escolha pessoal baseada em princípios éticos. “Não estou dizendo que quem utiliza o Fundo Eleitoral está fazendo algo ilegal. A lei permite. Minha posição é que considero imoral utilizar dinheiro público para financiar a minha campanha enquanto faltam recursos para saúde, educação e segurança pública. Por isso, decidi não aceitar esse dinheiro”, afirmou o candidato.
Esta não é a primeira vez que Prestes opta por disputar um cargo sem o uso de fundos públicos. Em 2024, quando foi eleito vereador de Foz do Iguaçu com 2.013 votos, sua prestação de contas também registrou R$ 0 do Fundo Eleitoral e R$ 0 do Fundo Partidário. Ele pretende manter o mesmo princípio em sua campanha para a Assembleia Legislativa, reforçando a viabilidade de uma disputa eleitoral sem o aporte de dinheiro público.
“Em 2024 eu já mostrei que era possível disputar uma eleição sem utilizar Fundo Eleitoral. Fui eleito vereador dessa forma. O único eleito sem gastar dinheiro público. Em 2026, mesmo tendo a possibilidade de receber um valor muito maior, decidi seguir o mesmo caminho”, declarou Prestes. A utilização do Fundo Eleitoral é legal e constitui uma das formas previstas pela legislação brasileira para financiamento das campanhas, mas a escolha de Prestes reflete uma posição política sobre o modelo de financiamento eleitoral.




