Um estudo recente realizado em Foz do Iguaçu revelou que mais de oito em cada dez pessoas em situação de rua na cidade nasceram fora do município. A pesquisa, que identificou 601 indivíduos vivendo nessas condições, aponta que 83,3% são de outras localidades, e 17,2% são migrantes internacionais. Os dados sublinham a particularidade de Foz do Iguaçu, uma cidade fronteiriça com intensa circulação de pessoas.
A análise, parte de uma dissertação de mestrado de Andre da Silva Eloy no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da Unila, utilizou informações do censo da população em situação de rua e dados de atendimentos de saúde. O levantamento detalha ainda que a maioria dessa população é composta por homens (83,12%), com idade média de 40 anos, e 67,66% se declararam pretos ou pardos.
Origem e Desejos de Mudança
Um dado relevante do estudo é que 76,63% das pessoas entrevistadas manifestaram o desejo de sair da situação de rua. Entre os fatores que, segundo relatos, levaram a essa condição, destacam-se conflitos familiares (30,93%), uso de álcool e outras drogas (23,19%), e o ingresso na situação de rua após a pandemia de Covid-19 (19,85%). O desemprego ou perda de renda foi mencionado em 8,96% dos relatos. É importante ressaltar que o estudo aponta que a situação de rua é multifatorial, não podendo ser atribuída a uma única causa isolada.
A pesquisa também analisou a atuação do Consultório na Rua, serviço do SUS, e identificou desafios como a necessidade de melhor integração entre os serviços, garantia de continuidade dos tratamentos e aprimoramento do compartilhamento de informações sobre os pacientes. O estudo defende uma atuação conjunta entre saúde, assistência social e outras políticas públicas, enfatizando que a superação da situação de rua envolve não apenas atendimento médico, mas também ações relacionadas à moradia, renda e proteção social.
O fato de a maioria ter nascido fora de Foz do Iguaçu, embora seja uma característica marcante, não explica a situação de rua por si só. A origem é utilizada como um dos elementos para compreender o perfil da população e os desafios enfrentados pelos serviços públicos em uma cidade de fronteira, onde a mobilidade adiciona complexidade ao acompanhamento contínuo dos indivíduos.
Os dados revelam uma população marcada pela mobilidade e por diversas vulnerabilidades, mas também por um forte desejo de mudança, o que impõe desafios e a necessidade de estratégias integradas para o atendimento e reinserção social.




