Foz do Iguaçu tem observado um crescimento visível e preocupante da população em situação de rua nos últimos meses, alterando a paisagem urbana e acendendo um alerta social. Famílias, idosos e jovens são cada vez mais comuns no centro, em áreas turísticas e nos bairros, improvisando abrigos com materiais precários como lonas e papelão. A ausência de uma equipe municipal dedicada exclusivamente a essa questão agrava o cenário, sobrecarregando setores que dividem suas funções com outras demandas, o que limita a capacidade de resposta e a implementação de ações estruturadas.
Atualmente, não há um programa municipal que contemple busca ativa diária, acompanhamento social contínuo ou estratégias de reinserção no mercado de trabalho para essa população vulnerável. O alto custo de vida, o desemprego e a dependência química são apontados como os principais fatores que impulsionam o aumento do número de pessoas em situação de rua. Moradores e comerciantes relatam insegurança e expressam preocupação tanto com a vulnerabilidade dessas pessoas quanto com os reflexos na vida urbana da Tríplice Fronteira.
Iniciativas Sociais e a Lacuna do Poder Público
Enquanto o poder público enfrenta desafios na formulação de políticas permanentes, entidades assistenciais e grupos voluntários tentam suprir a lacuna, oferecendo alimentação, roupas e atendimentos emergenciais. Contudo, sem um arcabouço de políticas públicas contínuas, essas iniciativas, embora essenciais, não conseguem frear o avanço do problema. Especialistas enfatizam que a solução exige mais do que ações pontuais, demandando investimento em equipes multidisciplinares – com assistentes sociais, psicólogos, educadores e agentes de saúde – além da criação de políticas de habitação e programas de inclusão social e profissional.
Em um movimento inédito para a cidade, a Secretaria Municipal de Assistência Social iniciou na terça-feira (12) o treinamento de servidores e voluntários para o primeiro censo sobre a população em situação de rua de Foz do Iguaçu. A capacitação, que se estende até esta quarta-feira (13), marca uma etapa fundamental para a compreensão da dimensão do problema. Segundo o secretário Alex Thomazi, este é o primeiro levantamento do interior do Paraná feito e liderado pelo próprio município, contando com a participação de 48 pessoas, incluindo representantes de secretarias, universidades e do Comitê Integrado de Monitoramento e Atendimento à População em Situação de Rua (Ciamp).
A operação de campo para o censo está agendada para ocorrer entre os dias 19 e 25 de agosto, com equipes atuando em três turnos diários. Atualmente, dados do Cadastro Único indicam uma estimativa de 964 a 1.060 pessoas vivendo nas ruas, mas esse número é considerado desatualizado. A expectativa é que o censo forneça um retrato mais preciso da realidade, servindo de base para a formulação de políticas públicas mais eficientes e direcionadas à reintegração social dessa população.




